sexta-feira, 6 de julho de 2012

Tutores desistem de lutar por cachorro que será morto por ser parecido com pit Bull

Nesta semana, os tutores do cão Lennox anunciaram que não vão mais lutar contra a decisão da corte de Belfast, na Irlanda do Norte - veja aqui. Lennox é acusado pelas autoridades de ser uma ameaça à sociedade e, por ser parecido com um pit Bull, deve ser morto por meio de uma injeção letal.

Por meio de uma carta (veja a tradução no final da matéria), a família disse que já esgotou junto aos advogados todas as possibilidades para salvar o animal. No dia 12 de junho deste ano, um terceiro juiz negou o último apelo da família que pedia para o governo não matar o cachorro de sete anos.


Segundo site North Country Gazette, a eutanásia acontecerá nos próximos dias 9 ou 10 de julho. A família de Lennox pede para que qualquer protesto seja feito de maneira respeitosa. Eles temem que sejam proibidos de ver, pela última vez, seu cãozinho, por conta de manifestações violentas e mal-educadas. De acordo com o site Irish Central, desde que foi retirado do lar, Lennox é mantido em um lugar secreto onde não recebe visitas.

Os treinadores de cães Victoria Stilwell, apresentadora do programa “It's Me or the Dog“, e Cesar Millan, apresentador do programa “Encantador de Cães“, também estão pedindo que Lennox seja enviado aos Estados Unidos. Uma ONG de Ohio estaria disposta a pagar as despesas da família para que eles visitassem Lennox em seu novo lar.

Os apoiadores da causa estão promovendo diversas manifestações na cidade de Belfast. Nesta quarta-feira (4/7), iniciam-se os protestos que seguem até sábado (7/7), quando uma marcha com centenas de pessoas caminhará até a prefeitura da cidade para pedir mais uma chance para o cão.

Uma página no Facebook incentiva o boicote industrial e comercial aos produtos de Belfast. O objetivo é que os comerciantes e os empresários pressionem os políticos a intervirem no caso. A página já possui quase 7 mil seguidores.

Leia abaixo trechos do comunicado da família feito na segunda-feira (2/7):

“Por favor nos desculpem pelo silêncio, pois sabemos que amigos e apoiadores estão desesperados por notícias, mas conversamos com nossa equipe de advogados e não temos nada novo a compartilhar. Nós precisávamos explorar todas as opções possíveis antes de emitir um novo comunidado. O veredito baseado na decisão do juiz de que Lennox não é um cão seguro nos deu pouca chance de seguir em frente. Mesmo com evidências de pessoas qualificadas contradizendo o testemunho da promotoria apresentado perante a corte.

Nossa preocupação e prioridade sempre foi o bem estar do nosso amado menino, mas fomos informados de que nossa batalha legal está no fim. Nós estamos obviamente perturbados, mas temos que considerar o impacto que qualquer batalha legal demorada provocaria em Lennox, caso fossemos contrários ao conselho que recebemos. Nós não podemos permitir que ele sofra mais, já que não há base legal para uma outra apelação, ou prosseguir com uma batalha que não podemos ganhar.

Sempre acreditamos que haveria esperança, e que a justiça prevaleceria. Mas estávamos enganados. Tivemos muitos dias de pesadelo desde que Lennox foi levado, e queremos que as pessoas saibam que o apoio e carinho que recebemos é que nos confortaram durante nossos dias tristes.

(.) Nossa última esperança é que a prefeitura de Belfast permita que Lennox seja levado para os Estados Unidos. A oferta é válida, mas não podemos dizer se será aceita pelas autoridades. (.) Se esta oferta for recusada, iremos lutar pelo nosso direito de dizer adeus. Nós não podemos suportar o fato de que Lennox irá morrer sem ser lembrado com nossos corações que o amamos.

Obrigado.“

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Estudantes protestam contra morte de pitbull na Ufrgs

Estudantes protestam contra morte de pitbull na Ufrgs

Vigilante do Hospital Veterinário da Ufrgs deu um tiro na cabeça do animal na sexta

Alunos levaram seus cães para protestar contra execução
Crédito: Vinicius Roratto
Dezenas de estudantes levaram seus cães à Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em Porto Alegre, nesta segunda-feira, onde realizaram protesto contra a morte de uma cadela da raça Pitbull na sexta-feira. O animal, chamado Artemis, foi atingido com um tiro desferido por um segurança terceirizado do campus, que teria se assustado com o latido do cão.

• Juremir Machado da Silva: O estranho caso do pitbull da Ufrgs

A dona da cadela, Mariana Simões dos Santos, estudante do 9º semestre de veterinária, contou que foi ao local no feriado, acompanhada do namorado, o dentista Bruno Antônio Stelzer, para buscar uma colega que faz estágio na faculdade. Eles soltaram o animal, que permaneceu sem coleira e focinheira. “A cadela latiu e o vigia apontou a arma para ela. Eu gritei, mas mesmo assim o homem atirou”, disse o jovem, que registrou ocorrência na 21ª Delegacia de Polícia (DP) logo depois. O cão foi atendido no Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV), mas não resistiu.

Mariana e outros estudantes pediram menos preconceito com a raça Pitbull. “A violência é de quem cria”, afirmou. Quando questionada sobre o motivo do animal estar sem a guia, a jovem argumentou que a cadela era dócil e que não teria condições de atacar, já que tinha uma pata sem movimento. A estudante adotou Artemis há dois anos, após ela ter sido atropelada e abandonada. Segundo Mariana, o cão passou por diversas cirurgias no HCV e estava acostumado com o ambiente.

O diretor da Faculdade de Veterinária, Vladimir do Nascimento, se reuniu com o coordenador de segurança da instituição, Daniel Pereira. O vigilante é contratado de uma empresa terceirizada, que ouviu o funcionário, mas informou que não iria se manifestar sobre o assunto.

“Nós lamentamos o que aconteceu e nos colocamos à disposição. A informação que temos é de que o vigilante era substituto”, salientou Nascimento. Ele destacou também que as imagens das câmeras de segurança do local já foram requisitadas e a faculdade está analisando, junto com a Procuradoria da Ufrgs, a abertura de uma sindicância para investigar o ocorrido.

“Nós seguimos as leis que orientam o uso de coleira de animais considerados agressivos em ambientes públicos. Se estivesse com a guia, isso poderia ser evitado”, explicou. Por outro lado, o diretor falou que é preciso apurar se a atitude do segurança foi justificada. A universidade deve estudar uma intensificação das regras seguidas dentro do campus.

terça-feira, 3 de julho de 2012

"O cão é um espelho do dono"

MATÉRIA PUBLICADA PELA REVISTA VEJA EDIÇÃO 2122 - 22/07/09 
                                    "O cão é um espelho  do dono"





O mexicano Cesar Millan, de 39 anos, é um "psicólogo de cachorros". No seu programa de TV, O Encantador de Cães (exibido no Brasil pelo canal pago Animal Planet), esse ex-imigrante ilegal convertido em celebridade nos Estados Unidos reeduca bichos com fobias, comportamentos destrutivos e distúrbios afins. Na entrevista a seguir, Millan explica por que a maioria dos problemas caninos tem origem nas atitudes humanas.
Quem precisa mais do outro: o cão do homem ou o homem do cão?

Os cães dependem da comida que lhes damos. Nós, contudo, desenvolvemos uma dependência emocional em relação a eles. Mais que qualquer outro bicho, o cão é o elo que permite ao homem moderno manter uma conexão mínima com a natureza. Os problemas com que lido em meu programa poderiam ser resumidos assim: pessoas que aboliram a simplicidade de sua vida procuram, por meio de seus cães, reencontrá-la - mas precisam se reeducar para isso.
Qual a raiz dos problemas de relacionamento entre o homem e o cão?

É a dificuldade humana de entender como os cães veem o mundo. Os cachorros não distinguem se seu dono é um mendigo ou o presidente dos Estados Unidos. Eles são programados para seguir um líder. Na relação conosco, o que vale são os sinais de afirmação ou vacilo de quem deveria exercer esse papel. Eles podem até parecer crianças, mas pensam como membros de uma matilha: na ausência de um humano que exerça a função de líder equilibrado e assertivo, os cães tentam se impor.
Os problemas dos cães são reflexos dos problemas de seus donos?

A maioria sim. No ambiente natural, animais não desenvolvem problemas comportamentais. Não se veem elefantes neuróticos. Isso também se aplica aos lobos, aos cães selvagens das savanas africanas e até aos cachorros de rua: eles podem ser magros e sarnentos, mas não têm distúrbios psicológicos. Os cães tornaram-se problemáticos, porque seus donos, em geral, não suprem sua necessidade de disciplina, exercícios regulares e desafios mentais.
Quais as consequências dessa negligência?

A pior delas é a agressividade fora de controle do cachorro. Mas há outras: a ansiedade da separação dos donos, os distúrbios alimentares, os ataques de pânico. Muita gente até acha graça nesses desvios, por imaginar que são traços da personalidade de seu cão. Mas eles existem e fazem os animais sofrer.
O que o comportamento de um cão pode revelar sobre a personalidade de seu dono?

 O cão é um espelho do dono. Quando as pessoas procuram minha ajuda e lhes pergunto o que está acontecendo, elas começam a conversa por suas próprias aflições, e não pelas do bicho. Dizem coisas como "minha filha tem um problema" ou "perdi o controle da casa" - e nem sempre abrem toda a verdade. Percebo o que de fato está ocorrendo tão logo ouço o que o cão tem a dizer, por meio de sinais como tensão, ansiedade e excitação. É incrível como essas emoções são as mesmas que, aos poucos, as pessoas à sua volta deixam entrever. Os cães são brutalmente honestos ao expor seus sentimentos.
Qual seu maior conselho para alguém que deseja adotar um cão?

O mesmo que dei ao presidente Obama e à sua família no processo de escolha do cão que viveria com eles na Casa Branca: opte por um animal cujo comportamento combine com o seu estilo de vida. Nunca leve para casa um bicho que tenha mais energia que você, pois a tendência será ele ditar as regras. Antes de acolher (o cão-d’água português) Bo, os Obama fizeram muita pesquisa em busca de uma raça adequada. Eles queriam um animal com pique para correr com as meninas e que não provocasse alergia na mais velha, Malia. Pelo que venho notando, porém, a família do presidente terá trabalho para colocá-lo nos eixos. No primeiro passeio, quem determinava o caminho era o cachorro - um péssimo sinal.